Algumas coisas precisam mudar.

Nos últimos meses, fiquei pensando que rumo dar ao projeto Arch Linux Brasil, muito antes da saída de pessoas como Flores, Thotypous e Kalib.

Como de outras vezes pensei seriamente e muito, sobre a minha saída do projeto. Mas, como vi uma situação meio delicada e não queria ver o mesmo acabar, decidi ficar e tentar segurar a barra, tirar a água do barco que estava para afundar (ou afundou, como já vieram falar, que praticamente não existimos mais e sinceramente, parece verdade).

Desde o surgimento do Arch Linux Brasil em 2006, com a ajuda do Douglas Soares, Hugo Doria, Egon Braun, Israel Jr., Denis Bachmann, Armando, Allen Franco, Anselmo Lacerda e Denis Falqueto, sempre pensei no crescimento e divulgação da distribuição Arch Linux e por que não do Arch Linux Brasil?

Com o passar dos tempos, vi muita coisa mudar, saída do Judd Vinet da liderança do Arch, repositório current virando core e os repositórios/pacotes sendo redefinidos.

Vi também um maldito kernel 2.6.27 quebrar vários sistemas por falta de competência dos desenvolvedores, que acabaram implementando os signoffs (que sinceramente, precisa melhorar essa política).

As coisas foram melhorando, e entre 2008/2009 (creio que foram os melhores anos do Arch Linux Brasil), tivemos desenvolvedores e trusted users no Arch, querendo ou não, acabavam levando o nome do Arch Linux Brasil, tanto para o Brasil quanto para fora.

Boas coisas aconteram, durante esses 5 anos de existência, mas também vieram as responsabilidades, status e visibilidade para o projeto e suas atividades.

Chegou em determinados momentos que várias pessoas começaram a colaborar, projeto crescia e as coisas tomaram outras proporções.
Isso era bom até determinado ponto, onde, começamos a chamar pessoas para integrar a parte “dev” do projeto. Para elas, chegar a este lugar as fizeram diminuir ou até mesmo, pararem e nunca mais colaboraram.

Várias desculpas eram dadas, a cobraça por parte dos usuários que não conseguiam se virar, acabou crescendo e o que era motivo de prazer, virou obrigação e tornando as coisas chatas de se fazerem.

Quando as coisas deixam de ser prazerosas de se fazer, começamos a deixar de lado, não é?

Alguns devs, saíram alegando falta de tempo, outros por não terem mais vontade de colaborar, outros começaram a usar outros sistemas operacionais, muitos problemas aconteceram com os updates da distribuição, e consequentemente muitos usuários começaram a deixar a distribuição.

Não julgo ninguém por isso, mas também, uma coisa me deixou muito chateado nesse tempo. A falta de compromisso de todos, quando digo todos, é todos mesmos, até da minha pessoa.

Quando planejavamos algumas medidas para dar continuidade aos trabalhos que queriamos realizar, muitos ficavam só esperando pelos outros e acabavam também, ganhando os créditos pelo trabalho e não o Arch Linux Brasil.

E estes links [1] e [2] me fizeram pensar, estamos na mesma situação e pra mudar esse quadro, será difícil.

Pergunto, será que tudo que fazemos precisa de retorno?

Acho que essa resposta seria, sim. Pois quando trabalhamos e damos conta do recado, queremos um aumento. Se não queremos um aumento, queremos um simples reconhecimento de um bom trabalho está sendo realizado.

Dizer que o Arch Linux Brasil, está morto, para uns pode ser exagero. Diria que estamos apenas hibernando. E vários fatores nos levaram para o estado atual do projeto e também da distribuição.
Posso citar vários, sendo que apenas 2, podem dar uma ideia.

1- Mentalidade dos desenvolvedores da distribuição Arch Linux;
2- Vontade e estímulo dos usuários da distribuição.

Sempre que reclamo, falo que boa parte dos problemas das distribuições se resume aos usuários da mesma. E parece que com o passar do tempo, a confirmação disto fica mais evidente. Quando deixamos de corresponder as espectativas, as coisas tendem a sair de rumo. É o que acontece hoje.

Falei várias vezes para pessoas próximas a mim, “acerte por 40, 50 anos da sua vida. Se ao final dela você errar ao menos 1 vez, será julgado por este erro, e tudo que você fez, não terá mais valor.”

Quando se acompanha um projeto de perto, sabemos onde estão as falhas, não precisamos fazer chamadas de trabalho ou qualquer coisa do tipo, como deu a entender no link [2].

A vontade de falar mais sobre isso é grande e poderia gerar mais polêmica e até mesmo insatisfação de várias pessoas. Lembrando, apesar do Linus ter conseguido criar o Kernel Linux, se não fossem por seus usuários, o mesmo não chegaria onde está hoje.

Então, o mesmo vale para as outras coisas.

PS.:
Lembrei do Software Freedom Day de 2009, onde Alexos, Gomex, Hugo e Eu conversavamos sobre algumas coisas que falei aqui.
Parece que foi ontem e algumas coisas não mudam. Simplesmente impressionante.

15 comments

  1. De fato você tem razão Leandro.

    Não é de hoje que esse pensamento existe.. Quando me desliguei do projeto, não foi por falta de vontade de ajudar, por tempo ou o que quer que seja neste sentido. Como bem expliquei na época, foram fatores internos que me desmotivavam. Simplesmente ideias não batiam mais como deveria ser. O que era prazeroso e divertido se tornou apenas mais uma obrigação, uma tarefa… não gosto disso. A maior prova de que não foi por falta de tempo é que me integrei em outros projetos em seguida. Não deixei o Arch, continuo nele (teclando a partir dele nesse momento) e não conheço um SO HOJE que atenda melhor as minhas necessidades. Mas o fato é que me desligar do projeto poderia me ajudar e ao mesmo tempo ajudar o projeto.

    Como?

    Me ajudar por tirar de mim aquela “obrigação” que havia deixado de ser prazerosa… E ajudar o projeto liberando uma vaga para alguém que de fato estivesse no mesmo ritmo do projeto e com pensamento sincronizado, que por sua vez poderia ajudar bem mais do que eu.

    Fico triste em saber que o projeto anda mal…

    Mas acredito que num geral, o Arch como um todo anda muito bem. Ele cresceu muito nos últimos 2 anos e a distribuição já inclusive está nas listas das mais recomendadas. A estabilidade da distro também tem melhorado bastante.

    Lembro que a 2 anos atrás eu morria de medo quando ia fazer atualizações grandes.. hoje em dia a coisa apenas passa a fluir naturalmente… ;]

    Abraços,

    • É, não tenho muito o que falar, o projeto não anda mal… Ele simplesmente parou no tempo e as contribuições não passam de traduções das notícias do Arch, Lista de e-mail e fórum.

      Sem contar também que, algumas coisas são tensas e em uma conversa com um amigo a opinião dele, seria também uma interpretação do que tentei passar, que foi:

      Existem 2 coisas que eu acho que vão sempre ter problemas pra comunidades extrangeiras do arch (ou de outras distros) :
      1- Tradução de documentação – isso é um saco. Sempre está desatualizado e é igual serviço de casa. Muito chato de fazer.
      2- A mentalidade dos usuários do Brasil é meio estranha, ela é muito de sugadora e pouco de contribuidora, aqui tem muita gente infantil, lógico que existe em muitos lugares, mas aqui a proporção é muito grande.

      Como não queria ofender ninguém e também não poderia deixar passar em branco, está ai.

  2. Ultimamente não tem aparecido nada muito urgente para fazer. Apenas o Wiki, mas eu me pergunto faz um bom tempo, será que tem gente suficiente interessada em um Arch Wiki em português?

    • Mas não é questão de se fazer apenas o urgente, e sim manter um trabalho contínuo.

      Arch Linux Brasil, ao meu ver, não é apenas tradução, envolve outras coisas também.
      Enfim, quem quiser ajudar ajude, quem não quiser, faça o que achar melhor.

  3. Paulo de Almeida disse:

    Prezado Leandro,

    sou completamente novato no Arch, ja uso o Ubuntu há alguns anos, mas devido a minha vontade de migrar para uma distro mais “dificil” (interprete como aumentar conhecimento) escolhi o Arch depois de pesquisar e perguntar em listas. Entendo o seu desanimo, mas nas minhas buscas e perguntas sempre achei muita gente disposta a me responder apesar de achar muitos posts dizendo que “a primeira coisa a se fazer no Arch é pesquisar”, pois é estou há dois meses lendo tudo o que posso sobre o Arch antes de migrar.
    Sobre as traduções, realmente é algo chato e massante, porem eu faço parte do time de tradução do Ubuntu e adoro traduzir documentação, so que como vc mesmo disse sempre esta desatualizado, me compreto no devido tempo em ajudar o maximo possivel nisso.
    Adimito ser um sugador, pois tenho pouco conhecimento(pretendo mudar, resolução de ano novo) em contribuir com codigo e outras coisa mais profundas, por isso me empenho sempre que posso em traduções.

    Espero ter melhorado o seu desanimo.

    Atenciosamente.

    • Paulo,

      Não é questão de desânimo, é mais questão de comprometimento.

      Muitas pessoas se comprometem, mas fica só naquela promessa, parecem políticos, sem contar dos “sugadores”.

      Enfim, cada um faz o que realmente acha interessante e tem prazer.
      Enquanto eu tiver força e coragem, o projeto continuará vivo do jeito que está ou de uma forma melhor, mas vai.

      Assim que tiver disposição e com cabeça mais tranquila, vou tentar expor algumas ideias que tenho.

  4. Estêvão disse:

    Em uma organização/empresa não é cabível que todas as pessoas sejam vistas de maneira igual, pois cada um tem um perfil, qualidades e habilidades específicas. Não dá para querer igualar todo mundo, se uma empresa fizer isso ela irá falir, simples assim.

    Quando eu entrei no projeto, em 2009, não havia um líder propriamente dito, apenas membros de uma comissão que na verdade tinham opiniões/votos com o mesmo peso dos demais membros do projeto. Até hoje me pergunto, qual o real intuito da comissão, sendo que ela não podia/pode tomar nenhuma decisão isoladamente?

    Querer equalizar as coisas é muito bonito, parece até um mundo perfeito, uma democracia perfeita, onde todos são iguais, não somente perante a Deus. Mas na prática isso nunca funcionou; onde já se viu uma pessoa entrar no projeto e não poder ser “demitida” porque ela tem os mesmos direitos que os demais?

    Já cansei de ver casos onde vários membros eram contra a permanência de determinado membro no projeto, mas o cara não saia porque “quem éramos nós para tirá-lo, somos todos iguais”.

    Eu acho que já passou da hora de pararmos de brincar de “politicamente correto” e fazermos o que tem ser feito. O projeto precisa de liderança em TODOS OS SENTIDOS e não adianta falar, falar, falar, o negócio é tomar atitudes e deixar a coisa feder, doa a quem doer.

    Att,

    • Concordo, mas o grande problema abordado pelo seu argumento, se dá pelo o fato da “cultura” em torno do projeto.

      Não só eu e todos os outros (antigos devs que não fazem mais parte do projeto), temos culpa nisso.

      A forma como a distribuição tratava os usuários, nos fez criar esta “cultura”, pois o clima de amizade envolvia todos os que faziam parte.

      Só que com o passar do tempo as coisas começaram a sair da linha “projetada” para trabalhar nas atividades diárias.

      Quando criamos a comissão o intuito era de decidir os pontos principais e avisar, quais atitudes seriam tomadas, mas como disse, o clima de amizade atrapalhou tudo e os que não faziam parte da comissão cobravam mais participação das decisões do projeto.

      Concordando que poderiam ter participação, mas os mesmos, não ajudavam no andamento das tarefas que precisávamos realizar/concluir. Consequência? Não faziamos mais nada, a não ser ficar parado esperando respostas dos outros.

      Acho que a “política” adequada para projetos de software livre, não deve ser democracia e sim meritocracia.

      O fato de “despedir” alguém, já passou do tempo de ser colocada em prática, mas também, não podemos condenar alguém se suas atitudades são iguais as de outros dentro do projeto, outro projeto recorrente dentro do projeto.

      Já está na hora dos envolvidos pararem de brincar e começarem a virarem homens e se comprometerem com o que propuseram.
      Esse ano, pretendo botar as coisas pra andarem junto com quem tiver interesse.

      Se o nego não quiser mais colaborar e ficar arrumando papinho pra não fazer nada, vou começar a cortar as coisas relacionadas a ele dentro do projeto.

      Só digo uma coisa: Cansei de esperar pelo outros darem suas opiniões nas ações tomadas em prol do projeto.

      Acordem que a coisa vai mudar.

  5. Hugo Doria disse:

    Concordo plenamente com o artigo. Sinto muitas saudades do início do projeto. Penso nele diariamente, BTW.

    Parabéns pelo post e acho que você deveria escrever mais.

    Abraços. 🙂

  6. Acho que é válida sim as palavras, sabemos que falar não resolve mas inicia algo.

    Se é para decidir alguém o que acha do Leandro? (Sei que isso depende de vocês dev e não de alguém de fora)
    A palavra que ele citou que acho muito importante é comprometimento.

    Existe usuários que também tem essa característica mas que preferem ficar em background, Kalib é outro exemplo
    que mesmo saindo do Projeto ainda continua utilizando o Arch então antes de ser do Projeto ele também é um Usuário e como
    User contribuímos como podemos. O fato de utilizar a distro e escrever, divulgar, falar, comentar já é algo. Isso é básico, porém somente nas palavras na teoria não é assim.

    Leio, sempre novidades, aguardem….

    …Enfim, brigamos demais com o nosso governo porém as vezes esquecemos de olhar para o nosso próprio humbigo, como disse o Estevão:

    ” … já passou da hora de pararmos de brincar de “politicamente correto””

    • Clécio,

      Um dos grandes problemas do Arch se chama: “Usuário”!

      Muitos reclamam de todo o projeto e também do Arch BR, quando se trata dos usuários aqui no Brasil.
      Mas fica a pergunta, será que eles fizeram ou deram algo em troca ao projeto?

      Cobrar as coisas é muito fácil quando se está fora, mas só sabe as dores de cabeça é quem está dentro.

      Se esses usuários que ficam em background ajudassem mais e diretamente, garanto, o projeto seria melhor e maior do que é hoje.

      Sim, é verdade, já basta de “brincar de politicamente correto”.
      Eu mesmo cansei e pretendo junto com que quiser contribuir, tocar o barco pra frente e melhorar as coisas por aqui.

      Outro recado, posso não ter condições de levar o projeto nas costas e sozinho, mas tentarei levar até onde puder.
      Quem quiser, estamos ai e podem entrar em contato.

      Logo logo, estaremos (Arch Linux Brasil) divulgando algumas coisas no site e na lista de e-mail, para ver a opinião do pessoal onde podemos melhorar ou até mesmo avisar quais as atitudes que estaremos tomando, gostando ou não, pois não temos mão de obra suficiente para realizar algumas tarefas, então, se querem ajudar, é só entrar em contato.

      Para isso temos o e-mail ouvidoria@archlinux-br.org, usem, pois isso nos ajudará muito.

  7. Sim, mas como o próprio nome diz é usuário. Então, ele somente “usa”, utiliza, dá dicas, agora vai depender das pessoas que estão a frente acatar ou não.

    É um sistema, “software” que os usuários utilizam e como usuário quer novidade senão tiver ou atender as suas necessidades irão procurar outro, sempre foi e será assim. O que não pode acontecer é cobrar algo que tem a ideologia livre.
    Do que adianta também ter a “casa toda arrumada” se os usuários não vão utilizar?
    Os “usuários” que tanto são culpados também ajuda no sucesso.

    Não estou querendo colocar culpa nós bois, só achei que você não foi tão feliz nesta colocação de cobrar dos usuário, devido a licensa, idéia que o sistema faz parte, apesar de não valer nada já que não estou dentro e não tenho dor de cabeça.

    Quando quis dizer background, é que existe alguns usuário que preferem não assumir responsabilidade para não ocorra como o tempo bons que vocês falam. Fatos que estão na lista, que aconteceram no IRC e até falta de contato por simples luxo, status que é o que a maioria no mundo Livre procura para depois voltar a realidade capitalista, afinal somos capitalistas.

    E me coloco neste quesito de background, pois o tempo com a Segunda Pós, Trabalho, Curso e ainda Ensino não sobra tempo para fazer um trabalho digno e sério como deve ser.

    Tento levar o Projeto Arch Linux BR onde posso, Flisol, FGSL na medida do possível… esse ano não irei palestrar pois não tem novidades significativa que possa mostrar e apresentar… Gostaria de algo de bate-bola em relação a outras distro, chamada de colaboração e oportunidades como demonstrei no último FGSL.

    E sobre os bons tempos, a lista, o irc, tem alguns episódios de alguns idéias que várias outras distros fizeram (através desses usuários) que ajudaram a alavancar a distro, usuários que poderiam ajudar mas por modismo, questão de ser de fora e outras coisas e até amizade como você disse.

    Eu próprio após ler os tuto, manais, how to, fiquei em dúvida por está desatualizado, no IRC já fui muito mal recepcionado. Bom mas não vamos entrar nisso.

    Creio que ao invés de agirmos de forma agressiva poderiamos agir de outra forma, com os conceitos/metodos que são ensinados em nossas instituições de ensino e utilizados por grandes corporações, para realmente de brincar de policamente correto (frase totalmente perfeita) e por a mão na massa.

    PS: Lembrando que todas as palavras acima são para mim mesmo. Pois também me cobro por ser muito mais participativo com o Projeto mesmo “fora” como você disse.

    Abçs

  8. Como você falou, Clécio, não fui muito feliz no que abordei, mas também, sei onde errei e procuro sempre que possível melhorar.

    No mais concordo com você, e já estou providenciando mudanças.

    Só espero que dê tudo certo.

    Uma coisa que ajudaria bastante, seria o feedback dos usuários, coisa que não acontece, ou nunca chegou a mim.

    E sim, episódios como você falou do IRC, acontece bastante e já fiz muito isso. Após levar muito tapa na cara, mudei e venho mudando meu comportamento.

  9. Olá Leandro

    Tenho acompanhando de longe o ArchBR.

    Espero que tenha melhorado depois desse post. 🙂

    Obs.: Ainda retornarei ao Arch Linux / ArchBR. 😉

    Grande abraço.

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